Símbolo da culinária amazônica, o tacacá é mais do que um prato típico é uma experiência cultural que carrega saberes indígenas, tradição e identidade regional. Consumido principalmente no Pará e no Amazonas, o tacacá é servido quente, em cuias, e costuma ser apreciado no fim da tarde, em feiras e pontos tradicionais das cidades amazônicas.
De origem indígena, o prato tem como base o tucupi (líquido extraído da mandioca brava), a goma de tapioca, o jambu e o camarão seco. O sabor é marcante, levemente ácido e com um toque único proporcionado pelo jambu, erva típica da região que causa uma leve sensação de dormência na boca característica que se tornou uma das marcas registradas do prato.
Além do sabor, o tacacá representa resistência cultural e preservação dos conhecimentos tradicionais dos povos originários, que dominam há séculos o preparo seguro da mandioca brava, ingrediente que exige técnica específica para eliminar substâncias tóxicas.
A seguir, confira a receita tradicional do tacacá:

Receita Tradicional de Tacacá
Ingredientes:
- 1 litro de tucupi
- 2 dentes de alho amassados
- 1 pimenta-de-cheiro (opcional)
- 1 maço de jambu
- 200g de camarão seco
- 1 xícara de goma de tapioca hidratada
- Sal a gosto
Modo de preparo:
- Prepare o tucupi:
Em uma panela, coloque o tucupi, o alho e a pimenta-de-cheiro. Leve ao fogo e deixe ferver por cerca de 30 minutos. Esse processo é fundamental para garantir segurança no consumo. - Cozinhe o jambu:
Lave bem o jambu e cozinhe em água fervente com um pouco de sal até que fique macio. Escorra e reserve. - Prepare os camarões:
Lave os camarões secos para retirar o excesso de sal e leve rapidamente ao fogo com um pouco de água apenas para aquecer. - Monte o tacacá:
Em uma cuia (ou tigela funda), coloque duas colheres de goma de tapioca. Por cima, despeje o tucupi bem quente, adicione o jambu e finalize com os camarões secos.
Sirva imediatamente, ainda bem quente.
O tacacá não é apenas uma receita: é um patrimônio cultural do Norte do Brasil, presente nas ruas, nas festas populares e no cotidiano das famílias amazônicas. Cada cuia servida carrega história, ancestralidade e o sabor único da floresta.






























