Roberto Pisani Marinho nasceu em 3 de dezembro de 1904, no Rio de Janeiro. Filho do jornalista Irineu Marinho, fundador do jornal O Globo, assumiu o comando do veículo após a morte do pai, em 1925. Ao longo das décadas seguintes, transformou o que era um jornal impresso em um dos maiores conglomerados de comunicação da América Latina: as Organizações Globo.
Em 26 de abril de 1965, foi fundada a TV Globo, marco que mudaria definitivamente o cenário da televisão brasileira. Em um país de dimensões continentais e profundas desigualdades regionais, a emissora se consolidou como uma força de integração cultural, levando informação, entretenimento e produções artísticas a milhões de lares.
A televisão como instrumento cultural
Sob a liderança de Roberto Marinho, a TV Globo investiu fortemente na produção nacional. As telenovelas, por exemplo, tornaram-se um dos principais produtos culturais do Brasil, exportadas para dezenas de países. Obras como Irmãos Coragem, Roque Santeiro, Vale Tudo e O Clone não apenas bateram recordes de audiência, mas também abordaram temas sociais relevantes, contribuindo para o debate público.
A dramaturgia da Globo revelou e consolidou talentos como Fernanda Montenegro, Tony Ramos, Glória Pires, Lima Duarte, entre tantos outros. Além disso, programas humorísticos, jornalísticos e musicais ajudaram a projetar artistas, jornalistas, autores e músicos, ampliando o alcance da cultura brasileira.
Outro ponto importante foi o incentivo à música nacional. Programas de auditório, festivais e trilhas sonoras de novelas impulsionaram carreiras de grandes nomes da MPB, do samba, do rock brasileiro e da música regional.
Jornalismo e formação de opinião
Roberto Marinho também estruturou um modelo de jornalismo televisivo que se tornaria referência. O Jornal Nacional, criado em 1969, foi o primeiro telejornal em rede nacional, conectando o país por meio da informação diária. A proposta era oferecer cobertura ampla, com padrão técnico elevado, contribuindo para a formação de uma identidade nacional compartilhada.
Embora sua trajetória também seja alvo de críticas e debates acadêmicos especialmente sobre o papel da emissora durante o regime militar é inegável que o grupo fundado por Marinho teve papel central na construção do imaginário cultural brasileiro nas últimas décadas do século XX.
Investimento em educação e cultura

Além da televisão, Roberto Marinho esteve à frente de iniciativas voltadas à educação e à preservação cultural. A Fundação Roberto Marinho, criada em 1977, desenvolveu projetos como o Telecurso, que ampliou o acesso à educação básica e profissionalizante para milhões de brasileiros.
A fundação também atua na preservação do patrimônio histórico, na valorização da arte e na promoção de projetos culturais em diversas regiões do país, reforçando o compromisso com a formação cidadã e o acesso à cultura.
Um legado que atravessa gerações
Roberto Marinho faleceu em 6 de agosto de 2003, aos 98 anos. Seu legado permanece vivo por meio do Grupo Globo e das iniciativas educacionais e culturais ligadas ao seu nome.
Independentemente das controvérsias que cercam sua trajetória, sua contribuição para a consolidação da indústria audiovisual brasileira é amplamente reconhecida. Ao apostar na produção nacional e na profissionalização da televisão, Marinho ajudou a transformar a cultura em um dos principais pilares da comunicação no Brasil.
Seu nome permanece associado não apenas ao crescimento da TV Globo, mas à própria história da cultura de massa no país uma influência que moldou gerações e continua presente no cotidiano dos brasileiros.






























